sexta-feira, 9 de abril de 2010

Feira do Ver-o-Peso completa 383 anos de história


Diversidade de cores, formas e cheiros, que exalam a cultura cabocla e amazônida. Burburinho constante. Gritos, cantoria e brincadeiras em meio a muito trabalho. Às 4 horas, quando a cidade ainda dorme, ele já está acordado, vivo, alvoroçado. Assim é o Ver-o-Peso, o cartão postal mais famoso de Belém, que comemorou 383 anos no último dia 27 de março. Muito mais que uma feira livre – a maior da América Latina - o Ver-o-Peso é um grande complexo, e a beleza deste conjunto fez com que o Ver-o-Peso conquistasse o título de uma das 10 maravilhas do Brasil, conferido por uma revista de circulação nacional.Pelos corredores, mercados e barracas, difícil é encontrar alguém que não se orgulhe de trabalhar no Ver-o-Peso. Dona Lúcia Evangelista, vendedora de Tucupi, conta que nunca conseguiu deixar o lugar. “Bendizer fui criada aqui. Casei, deixei de vir, mas depois voltei. Me orgulho de ter construído a minha vida aqui e de ter ajudado a construir a história do Ver-o-Peso”, conta a feirante.Muitos dos trabalhadores que atuam no Ver-o-Peso estão seguindo os passos de gerações anteriores, como dona Miraci Alexandre, erveira que já está há 30 anos no local. Tudo começou quando a mãe dela, Dona Isabel, resolveu deixar de vender verduras na Pedreira para tentar a sorte como erveira do Ver-o-Peso. E deu certo. A veterana Isabel continua firme no ofício, e a filha segue os passos da mãe. “Tenho muito orgulho da nossa história, de trabalhar aqui. No Ver-o-Peso tem muita gente trabalhadora, humilde, que às vezes vem todo dia só com o dinheiro da passagem”, relata a feirante, que destaca também o companheirismo que exis­te entre os colegas.Para dona Miraci, o reconhecimento que o mercado conquistou é uma grande vitória. “Quando vem gente importante, famosa, a gente não precisa ir correndo pedir autógrafo. Eles mesmos fazem questão de vir até nós, falar com a gente”, diverte-se a feirante.E, para bons paraenses, não poderia faltar a boa e ardida pimenta. Nesse quesito, seu Raimundo, o “Chora, rei da pimenta”, é referência entre os colegas. Segundo ele, suas pimentas são muito procuradas pelos belenenses e até pelos turistas. “Eu adoro o Ver-o-Peso, é a melhor feira de Belém, definitivamente”, diz, orgulhoso.

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